"Crientes", "gurjas", tema de papo até a Central...
-aquele cara é um tremendo filho-da-puta, berrou o sujeito com uma pasta mais parecendo uma mala, entrando no metrô. Dirigia-se para outro sujeito com características idênticas que ia meneando a cabeça em cada palavra, em cada impropério dito pelo primeiro. -comigo acontece a mesma coisa – berrou o sujeito olhando para os lados como se quisesse falar para uma grande platéia. O cenário daquele vagão era de uma tranqüilidade pouco comum em uma manhã de chuva no Rio de Janeiro. Alguns liam livros, outros seus jornais estampando assassinatos, show de dupla caipira ou uma boazuda dessas de baile funk. -Coloquei um armário na casa desse desgraçado na Rocinha. Pô, você sabe como é aquilo ali. De repente, é bala pra todo lado. Pra chegar na casa dele já foi uma grana ferrada de condução. Fui até com o meu garoto, que ninguém é de ferro, e ele tem que aprender uma “ofiço”. Cheguei na casa do “criente” e um cachorrão deu um latido no portão que quase me borrei todo. Meu filho largou duas ripas e saiu correndo. E o cachorro não parava de latir. Tive que ir atrás do meu filho para trazê-lo de volta. Dei-lhe um cascudo e o dono da casa olhou da janela. Gritei que nem um filho-da-puta e ele me mandou esperar dizendo que ia prender aquele cachorro do caralho. Quando entramos na casa, porra, era tudo estreito, eu pensei: -onde será que esse cara vai querer que eu instale o armário? No fim, sobraram ripas, pedaços de madeira, pregos, um cacetão de coisas. E o pior: não me ofereceu nem um cafezinho. -E te deu uma gurja? -Gurja? “Qualé “ maluco, nem coçou as calças. Sujeito ruim de transa, morô? -Comigo é a mesma merda. A gente trabalha pra cacete, vai em cada lugar...No fim ninguém dá “valô”. Minha “mulhé” só fica procurando grana nos meus “bolso”. Chego em casa, a primeira coisa que faz é dizer: -faz ahhhh! -Faz ahhhh? -é pra “vê” se eu tomei a branquinha. Como tomo sempre uma, a “mulhé” “cumeça a me “xingá”. É de filha-da-puta pra cima... -(coçando a região escrotal) Quá,quá,quá,quá....tu “deixa” tua “mulhé” “fazê” isso contigo. Eu dava era porrada nela... -pô, maluco, queria que tu visse minha sogra. É um tremendo caminhão, cara. E vive com a gente naquele quartinho que tu “conhece”. “Tê” que “aturá” “criente” e “vivê” com a Clô e com a mãe dela é um inferno, “brô”. -Ih, já chegou a estação da Central. Aí, “muleque”. Tremendo papo, vai com Deus. -Pô, legal o papo. Valeu! Cada um foi tratar de sua vida e todos sairam felizes em mais um início de dia na cidade maravilhosa.
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